o acaso, balthazar

o amor sondou-me
as espaldas
o bucho do peito
foi-se ao pé dos devaneios
tirou-me o adiantado do sono

 

ao visitar-me, o amor tombou três pedras
a primeira para o espírito, de valer resiliência
para o corpo, suspendeu a segunda,
de perseverar à invalidez
a última, fosca e desprovida de brio, confiou-me às próprias mãos:
 – toma, mas não espremes,
a joia que jaz o tempo,
jangada no vento, fagulha da imensidão