as rãs

as rãs saltam ao levantarmos
a tampa do vaso sanitário
ora escalando com suas patas frias
as paredes gosmentas com um medo do diabo
ora batendo as cabeças contra nossas nádegas
escapando das nossas mãos enormes, quentes
e não por isso menos perigosas

teus olhos turvos, semicerrados
devoram-me como a rã tragada
pela força centrífuga da descarga
a cada vez que teu corpo me ultrapassa
na esquina de um desejo sem aviso prévio

amanhã, bem cedo, quando despertares
lembre-me de te contar das rãs
antes que me tragues com tua densidade
cruzando o território de onde
finjo estar bem

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