afundar o mundo

sejamos conservadores
conservemos vigorosamente
o gosto pela invenção
das formas radicais da vida

sejamos fundamentalistas
fundametalmente céticos
diante de tudo o que não seja
mudança como desrazão não-essencializante

sejamos tradicionalistas
tradicionalmente façamos a revisão
perventendo todos os platonismos e hegemonias
com eles criando filhos monstros em seus próprios reinos

sejamos absolutistas
absolutamente descrentes
de toda a sorte de verdades, identidades,
sobretudo e ainda a respeito de nós mesmos

sejamos as crianças de zaratustra
que escorregam pelas coisas

entremeio

 

(da série “interlocuções” em diálogo com “da genealogia da moral”, de F. Nietsczhe)