festa

bolas azuis e vermelha
bolas de sabão bolas de futebol
de capotão bolas quadradas
bolas muitas bolas

gomas de plástico de mascar
de por no sapato e no cabelo da ana luiza
que chora e grita furiosamente
com uma faca sem ponta ou serras
disposta mesmo a matar o filho da puta
com sua franja colada com baba rosa

a piscina vazia as mães sentadas
comendo salgadinho engordurado
fazer festa dá um trabalho.

danilo ama yasmin
que gosta mesmo de ginástica olímpica
de impressionar os adultos
de sapatos de salto e laço

maria clara desce o tobogã
gritando que não usa sutiã
– eu não uso sutiã!

no cantinho amuado
rafael da sala o mais descolado
parece hoje não querer saber
de inventar moda de firula
de se sujar na terra de sangrar o joelho
nem da pipoca do guaraná

tem dias que a gente acorda
como se o corpo não quisesse fazer festa
por dentro