133 rotações em 35mm

Um dia antes de sair para uma viagem de férias à África, em fevereiro, ganhei de surpresa um presente de três amigos (Eloá, Felipe e Nini): uma câmera descartável Kodak amarela, que mais se parece com um brinquedo, com 24 poses.

Desde então estive em três continentes, dezenas de cidades, centenas de acontecimentos, enquanto o mundo rotacionava em seus ciclos ininterruptos da noite e do dia – totalizando 133 voltas até agora.

Se antes acreditava que eram as pessoas que vinham e iam, passei a reconhecer que o fator da mudança estava sempre em mim, com uma única repetição: a mesma câmera amarela de brinquedo.

Hoje, recebi as fotos reveladas com os grãos da memória impressos e materializados em cada um dos fotogramas de papel fosco, como pequenos mapas de um passado-presente cingido por uma miríade de formas, oceanos, pedras, cheiros, corpos conhecidos e anônimos. São muitas as vidas.