aos que não carecem de morte

Sob o móvel, amontados de papéis e livros recheados de uma caligrafia repleta de consoantes; um bloco de papéis em branco, um pequenino abajour com lâmpada fraca ilumina os oitenta dois anos do homem sentado. A fumaça da xícara flutua pelo abrigo quente, em contraste com o azul fúnebre do lado de fora.

No momento, irrompe pela porta, trajando o manto negro fosco da finitude, a morte, despojando a longa foice que lhe atribui o prenome ceifador. Como se os anos já lhe houvessem esclarecido que era chegada a hora, o homem nada fez a não ser recostar o corpo na poltrona almofadada e tornar um gole quente de seu chá.

Constrangida, a morte diz: “- Vi que está ocupado, volto outra hora”.